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Gestão de custos · 29 de junho de 2026 · 9 min de leitura

Como calcular o CMV do seu restaurante (e usar isso pra comprar melhor)

Se existe um número que decide se o seu restaurante fecha o mês no azul ou no vermelho, é o CMV. Ele diz quanto da sua venda foi embora só em insumo. E mesmo sendo o número mais importante da operação, muita cozinha roda no achismo, sem nunca ter calculado o seu. Aqui você vai ver o que é o CMV, como calcular passo a passo, qual é um CMV saudável por tipo de operação, as 5 compras que mais sangram a margem e como começar a medir esta semana.

O que é CMV

CMV é a sigla de Custo da Mercadoria Vendida: quanto custaram os insumos dos pratos que você efetivamente vendeu num período. Repare na diferença: não é quanto você comprou, é quanto você consumiu pra vender. Se você comprou R$ 30 mil em insumos mas parte virou estoque parado, esse estoque ainda não é CMV. Ele só entra na conta quando vira prato vendido.

Por isso o CMV é o termômetro mais honesto da operação: ele junta o que você paga na compra com o que você perde na cozinha. Os dois vazam pelo mesmo ralo.

A fórmula do CMV

Em um período (em geral o mês), o cálculo é:

CMV = Estoque inicial + Compras do período − Estoque final

O estoque inicial é o que tinha na despensa no primeiro dia. As compras são tudo que entrou no mês. O estoque final é o que sobrou no último dia. A diferença é o que você de fato consumiu. E o número que importa pra decisão é o CMV em percentual do faturamento:

CMV% = (CMV ÷ Faturamento) × 100

Exemplo prático

Estoque inicial: R$ 12.000

Compras no mês: R$ 30.000

Estoque final: R$ 10.000

CMV = 12.000 + 30.000 − 10.000 = R$ 32.000

Faturamento do mês: R$ 100.000

CMV% = 32%. De cada R$ 100 vendidos, R$ 32 foram só em insumo. Os outros R$ 68 pagam aluguel, equipe, impostos, energia e o seu lucro.

Qual é um CMV saudável

Não existe número mágico. O CMV saudável muda com o tipo de operação e com o cardápio. Como referência no food service:

Bar e boteco (forte em bebida): 25% a 32%

Restaurante à la carte: 30% a 38%

Pizzaria: 28% a 35%

Lanchonete / fast-casual: 30% a 36%

Buffet e hotelaria (mais risco de desperdício): 35% a 42%

Mais importante que bater o número de tabela é acompanhar a sua tendência. Se o seu CMV vinha em 32% e foi pra 37%, alguma coisa mudou. E quase sempre dá pra rastrear.

As 5 compras que mais sangram a margem

Quando o CMV sobe sem explicação aparente, o motivo quase sempre está em um destes cinco pontos. Vou com um exemplo em cada.

1. Sem ficha técnica

Ficha técnica é a receita de cada prato com quantidade e custo exatos. Sem ela, a porção vira "no olho": um dia o prato leva 180g de proteína, no outro 240g. Essa variação de 60g, num prato vendido 300 vezes no mês, são 18 kg de insumo a mais sem ninguém perceber. A ficha trava a porção e te diz o custo real de cada prato.

2. Desperdício e perdas

Armazenamento errado, validade vencendo, descongelamento mal feito e sobra de produção vão direto pro CMV, porque você comprou e não vendeu. Exemplo comum: comprar hortifrúti demais "pra garantir" e jogar 15% fora toda semana. Esses 15% saem do seu lucro.

3. Preço de compra no piloto automático

Comprar sempre do mesmo fornecedor, sem comparar, é o vazamento mais silencioso. Num ticket de R$ 20 mil por mês, pagar em média 8% a mais por não cotar são R$ 1.600 por mês. No ano, passa de R$ 19 mil. E nem é que o fornecedor seja ruim: sem comparar, você simplesmente não sabe se está pagando o justo.

4. Cardápio desequilibrado

Nem todo prato tem o mesmo CMV. Um campeão de venda com food cost de 45% puxa a média da casa inteira pra cima. Engenharia de cardápio é olhar cada item por margem e por saída, e dar destaque pros que vendem bem e têm boa margem. Às vezes o ajuste é só mudar a posição no cardápio ou a sugestão do garçom.

5. Estoque no olho

Sem contagem de verdade, o cálculo do CMV vira chute, e o chute esconde o problema. Não precisa de sistema caro pra começar: uma contagem no primeiro e no último dia do mês já te dá os números da fórmula. O que não dá é pular essa etapa e depois se perguntar pra onde foi o dinheiro.

Como calcular o seu CMV em 4 passos

Dá pra começar esta semana, com uma planilha simples:

  • Conte o estoque no primeiro dia do mês (valor em R$).
  • Some todas as compras de insumo do mês (suas notas e pedidos).
  • Conte o estoque no último dia do mês.
  • Aplique a fórmula e divida pelo faturamento do mês.

Faça isso todo mês. Um número sozinho diz pouco; a tendência diz tudo. Três meses já mostram pra onde a sua margem está indo.

Ficha técnica na prática

Pra fechar, um exemplo de como a ficha técnica revela o custo real. Um prato de filé com fritas:

Filé 200g: R$ 11,00

Batata 250g: R$ 2,50

Óleo, tempero e guarnição: R$ 2,00

Custo do prato: R$ 15,50

Vendido a R$ 45,00, o food cost é 34% (15,50 ÷ 45,00).

Some isso pra todos os pratos, ponderado pela venda de cada um, e você tem o CMV teórico da casa. Quando o CMV real (o da fórmula) está bem acima do teórico (o da ficha), a diferença é desperdício ou erro de compra.

Onde a compra inteligente entra

Repare que três dos cinco vazamentos (preço no piloto automático, boa parte do desperdício e o estoque) começam na compra. E é aí que mais se perde tempo. Cotar no WhatsApp com vários fornecedores, comparar preço na planilha e conferir quem entrega na sua região vira um trabalho que ninguém faz direito toda semana.

É o que a ForneceAí resolve: você monta o pedido uma vez e a gente compara os fornecedores da sua região e fecha o melhor combo de preço, logística e condição de pagamento. Comprar melhor de forma consistente é o jeito mais direto de segurar o CMV no lugar.

Comece a medir

Calcular o CMV não é burocracia. É enxergar por onde o lucro escapa. Meça todo mês, ataque o maior vazamento primeiro e repita. Na prática, o vazamento quase sempre começa na compra.

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